quinta-feira, 7 de abril de 2011

XXI


os dias lá têm as suas surpresas. as surpresas dos dias. o dr, manuel sá marques teve a amabilidade de informar a publicação de um estudo de eugenio otero urtaza intitulado "bernardino machado e francisco giner de los rios entre 1886 e 1910. amistad, iberismo e espíritu de reforma educativa". por si só, a leitura deste texto promete; e promete na medida em que também preparo um trabalho no âmbito da educação prática, tendo sido esta mesma perspectiva educacional que juntou giner de los rios e bernardino machado para uma amizade não só pessoal, mas também cívica e pedagógica. o estudo de otero urtaza encontra-se publicado na "revista de pensamento do eixo atlântico", n.º 4 de 2003. foi uma agradável surpresa. a outra surpresa do dia foi o início da leitura do livro publicado entre nós de milan kundera "um encontro": mais do que o simples encontro de kundera, é, isso sim, uma série de encontros leitorais e estéticos do próprio kundera com os seus escritores e pintores preferidos. abre com uma reflexão do pintor francis bacon, recuperando uma antiga reflexão. não concordo com algumas afirmações de kundera, mas termina as suas breves reflexões em beleza. o meu contacto com a obra de francis bacon foi na faculdade, já que tive de fazer um trabalho sobre a sua linguagem estética, servindo-me para isso de um livro de delleuze, do qual agora não me lembro do título. cita uam entrevista de bacon, o qual nos diz tudo sobre a sua estética pictorial: "uma forma orgânica que remete para a imagem humana mas em completa distorção." kundera considera que o que temos em bacon é a "interrogação sobre os limites do «eu»". contudo, considero que em bacom não há limites. o que temos em bacon é a transfiguração do humano, o outro lado da moeda, a aparência do corpo deambulante. não há fronteiras na estética de bacon: o que temos é o outro lado do humano na sociedade contemporânea, a sua desfiguração. nem sequer temos o possível "alegre desespero" de kundera. mas kundera, como disse, termina em beleza. registo aqui esta sua reflexão, perante a qual somos um corpo sem interioridade: "Não é pessimismo nem desespero, é uma simples evidência que, em geral, velada pela nossa pertença a uma colectividade que nos cega com os seus sonhos, as suas excitações, os seus projectos, as suas ilusões, as suas lutas, as suas causas, as suas religiões, as suas ideologias, as suas paixões. E depois, um dia, o véu cai e deixa-nos a sós com o corpo...", seres humanos deambulando com o corpo. e o que fica para além do corpo? o rosto: "o rosto no qual fixo o meu olhar a fim de nele encontrar uma razão para viver". rostos desfigurados.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

XX


simplesmente sonhar

sonhar intermináveis

para nada

por tudo

afinal de contas pela vida

sonhar sonhando

assim

acordado

na terra

assim

entre sermos grandes pequenos e nada

no paraíso de nós

mundo

assim vivendo

sonhar sonhando

entre segredos e sinais

não revelados que se revelam

sonhar sonhando

sonhos que não se vivem

mesmo estando

silêncio

sonhar sonhando

assim sem jeito

domingo, 3 de abril de 2011

XIX


com o f. c. do porto campeão, e parabéns ao porto, só é pena que haja sempre desacatos e com uma força policial que está sempre presente nestes momentos, e não noutros, não me parece que com estes censos de 2011 se vá encontrar, de facto, a realidade de portugal, até porque, que raio interessa saber onde estávamos às zero horas do dia 21 de março, se estávamos ou não no alojamento, em casa, ou seja onde? a realidade de portugal continua para ser descoberta.

XVIII


e para esquecer esta crise que já nos considera, e nos consideram, lixo, salvo seja, ao ponto onde chegamos, santa engrácia, só que se esquecem que o lixo é reciclado, pois está claro, e já não há paciência para estes políticos de meia-tigela, dizem que é um novo ciclo, não me parece, o ciclo vai ser o mesmo, as mesmas patacoadas, o mesmo jogo, quer a esquerda quer a direita vão continuar com o seu pingue-pongue um tanto ou quanto estúpido, enfim, já não há paciência, de facto, esta estrelícia cá de casa para glorificar abril que começou um sol fabulástico e hoje, domingo, não está mal.

quinta-feira, 31 de março de 2011

XVII


Ao folhear ontem o jornal "Público", o P2 trazia um pensamento de John Lennon, do qual transcrevo o último parágrafo. "Conta a tua vida pelos sorrisos, e não pelas lágrimas." e se o chorar. diz-se, faz bem, as lágrimas fazem bem, elas também não nos trazem nenhuma solução perante a própria vida. Compreende-se, claro, a intenção de lennon, mas os sorrisos e as lágrimas fazem parte da vida, da integridade do ser humano como ser humano em si mesmo e, às vezes, as lágrimas vencem os sorrisos. as lágrimas e os sorrisos fazem parte da vida. claro. recordar os bons momentos e não os maus momentos, eis os tabus da sociedade. o melhor será recordar os maus momentos e nos livrar.nos deles para assim os sorrisos e os bons momentos serem mais leves de serem apreciados. mas o mau momento do dia que o jornal coloca em notícia e em editorial, é o facto deste ano não se comemorar o 25 de abril, cuja simbologia fica para segundo plano. Numo momento de crise política, económica e moral, a simbologia de abril deveria ser comemorada na assembleia, mesmo esta estando dissovida, apenas e simplesmente mostrando o vazio social e político. e, até mesmo, moral. uma vez mais, abril será, sem sombra de dúvidas, comemorado nos municípios portugueses, para que a memória histórica não caia e nnão crie um vazio ideológico, até porque a reconversão ideológica é necessária para a reconstrução de portugal.


segunda-feira, 28 de março de 2011

XVI

momentos de um aniversário, o 160.º de bernardino machado, no museu com o seu mesmo nome, em vila nova de famalicão. claro, com um abraço de fraterna amizade para com o dr. manuel sá marques


O Dr. Sá Marques, atento ao seu texto, que já introduziu no seu blog, em viagem até Lisboa, na memória do seu avô, Bernardino Machado.


O Dr. Sá Marques, sempre atento e pronto com a sua máquina fotográfica. Não perde um momento!


O Dr. Sá Marques, a esposa D. Vitória Maria e a Paula Lamego, a revisitarem fotografias de família dos Machados

O Dr. Sá Marques a tirar mais uma fotografia a sua esposa e à Paula Lamego, estando por trás o busto de Bernardino Machado de Dorita Castel Branco, escultora amiga da família Sá Marques, e busto doado pela família




O nosso editor das Obras de Bernardino Machado, o sr. Rui Magalhães e Paula Lamego

XV