domingo, 31 de julho de 2011

LXII férias

e chegaram as férias! assim, sem mais, elas chegam, as férias, sem horários para se cumprirem, o que, numa altura destas, já não é mau de todo estar de férias, mas a algum lado se há-de ir e projectos sempre existem para não ser só dormir. para já, ainda se trouxe trabalho, que será relaxante, de qualquer maneira, já que o tomo II da obra política de bernardino machado tem de estar pronto para sair ao público no dia 5 de outubro. muitos recortes de imprensa ainda apareceram, e cujos textos, exceptuando um caso ou outro, são das intervenções de machado nas eleições municipais, as últimas monárquicas em 1910. em famalicão, os republicanos concorreram e já tiveram uma votação expressiva. depois será um passeio amoroso, a seguir mais uma estadia em casa e depois até lisboa, deambular pelos dossiers de armando bacelar e conviver com a família sá marques e com o dr. manuel sá marques, e visitar uma ou outra exposição das comemorações da república, na sua presença e de convivência sempre fraternal e de amizade concordial. a ver vamos se farei algo de jeito.

sábado, 23 de julho de 2011

LXI fafe




para o meu caro amigo artur coimbra, fafense de gema e homem do mundo








ontem fui até fafe, uma jovem cidade entre a tradição e a modernidade, com o dr. sá da costa e a esposa, d. manuela granja, para a apresentação do livro do meu caro amigo artur coimbra, "major miguel ferreira: uma lição de liberdade". aliás, o dr. sá da costa contextualizou o papel do major miguel ferreira no âmbito do papel e da intervenção política do major miguel ferreira perante a oposição democrática de braga. fica aqui o registo de algumas fotografias fafenses. para mais pormenores da mesma apresentação, http://litfil.blogspot.com/




























































quarta-feira, 20 de julho de 2011

LX a nossa democracia



LIX indumentária


19 de julho


depois de se terem noticiado as mordomias das chefias policiais (quantas mais não haverá por este país fora institucionalmente), temos agora mais uma polémica, e que já cheira até mal!, a das famosas SCUT`s. mais um buraco financeiro para a coligação governamental resolver - e cá para mim as receitas do famoso imposto extraordinário vão ser distribuídas entre o famoso "desvio colossal", que o primeiro-ministor continua a advogar - (não terá inventado? está tudo há espera que a equipa técnica da troika se pronuncie) - e o agora buraco das SCUT`s. a questão é esta: e quem não tem carro e nem sequer carta e nem sequer por lá anda, também tem de pagar? claro, ora. só que uns são mais portugueses que outros. o governo regional dos açores sugere ao governo do continente que o retido do mesmo imposto por terras açorianas deverá por lá ficar. só faltava ouvir mais esta por parte dos açores nos noticiários de hoje. aquilo por guimarães não anda nada bom, parece que vamos perder alguns quadros de vieira da silva e o que mais me espantou hoje foi a criação de novas regras que estabelecem a indumentária que alunos, porfessores e funcionários devem usar na universidade católica portuguesa. pois aqueles alunos que vemos na foto e da forma como estão vestidos, desenganem-se, já não podem ir já não podem ir assim para as aulas! parece que aquilo por lá, segundo dão a entender, andava tudo mal vestido e é recomendado uma indumentária própria de uma universidade e, pasme-se!, de uma instituição da igreja! cito antónio marujo que foca uma regra preversa: "a de que cada um vigiará a «salvaguarda do ambiente e da imagem» da ucp, «devendo chamar a atenção dos que se apresentarem de maneira imprópria»". chamo a esta situação de terrorismo social e de comportamento institucional anti-moral. esta situação, em democracia, pode trazer outros perigos. cito alain tourraine da "crítica da modernidade": "o moralismo é perigoso, porque lisongeia a boa consciência daquele que o exprime, quer ele se sinta seguro da sua própria sociedade quer a denuncie, pelo contrário, em termos que fazem dele um justo orador que fala em nome de um além da sociedade política, social ou religiosa." é a tentativa de criar pequenos ditadores, os quais já circulam por aí, não respeitando a liberdade privada que são conquistas sociais, mesmo na indumnetária. decência, sim, faz parte do essencial da educação mas regras absurdas de vigilância pessoal não! mas acredito, respondendo a antónio marujo, que cristo, francisco de assis e abbé pierre entrariam na universidade e seriam aclamados, disso não duvido. uma medida nada católica pelo respeito do humano na sua diferença de ser e de estar no mundo.






LVIII reformas



18 de julho


os líderes políticos europeus não se entendem. helmut kohl acusa merkel de estar a fraturar a europa, o sentido legítimo da europa dos pais fundadores, diríamos, a europa de kohl e não a de todos os europeus e, pelos vistos, leio no "jornal de notícias" que uma parte do importo extraordinário deve ir para tapar o "desvio colossal"herdado pelo anterior governo. coisas que a vida tece, infelizmente, umas coisas boas e outras menos; e comos e não bastasse, no mesmo jornal, fica-se perplexo com tamanha paradoxalidade noticiosa, que é a seguinte: !1 milhão de pensões sobem em janeiro". estas pensões, não percebi o quadro que indica os valores actuais das pensões e da inflação para 2012, dá a entender que serão as pensões mais baixas dos pensionistas rurais e do regime não contributivo, ficando perplexo com as palavras do secretário de estado da solidariedade e da segurança social, logo na primeira página: " inclusão e combate à pobreza não eram desígnios da troika". tudo dá a entender, perante as reformas a serem aplicadas, que serão as pensões mais baixas que estarão em foco. a coligação governamental mantém a troika no seu melhor. o que são, em suma, 250 euros de reforma? portugal igual a si próprio.

terça-feira, 19 de julho de 2011

LVII

para yoli, docemente



"Desde remotas calendas hasta recientes días, Portugal y España, hermanos por la gracia de Dios, han vivido sin gracia y sin Dios; de espaldas el uno al otro y, por ende, cada qual de espaldas a sí mismo, contra lo más valioso de sí mismo, pues lo mejor de toda persona humana es siempre el otro, el próximo, el amor."


Eugenio Montes


segunda-feira, 18 de julho de 2011

LVI europa e cultura



17 de julho


comove, neste momento, a ilusão da europa, a ilusão do prokecto da união europeia. ressalva-se, do "público" de hoje, a lembrança do escritor português walter hugo mãe o qual, por terras brasileiras, fez um fantástico sucesso por terras brasileiras, mais propriamente na 9.ª edição da FLIP. e o pior da rúbrica "caras da semana", a aula do ministro das finanças vítor gaspar na tragédia das 18h00: foi o académico no seu melhor. [ontem, na tvi, marcelo de rebelo de sousa até gostou!] Ainda desta matéria, o "público" de sexta, kogo na sua primeirã página, em letras garrafais pretas e gordas noticia: "Dez por cento dos salários mais altos pagam 60 por cento do imposto extraordinário". Em letras mais pequenas: "Em 2011, só assalariados e pensionistas pagam irs de Natal. Rendimentos do capital e lucros ficam de fora"; e no texto de João Ramos de Almeida lemos que "o novo imposto, afinal, incide não sobre os rendimentos brutos, mas sim sobre os rendimentos colectivos; ou seja, sobre os rendimentos anuais subtraído das deduções e benefícios fiscais e após o abate do valor anual do salário mínimo." e do argumento ministerial relativamente ao facto das empresas não pagarem o respectivo imposto perante os seus lucros, ou mesmo a banca, estamos perante uma falácia, até porque os portugueses, os trabalhadores por conta de outrém, também já têm pago outros impostos extraordinários e o esforço tem sido em vão. como se não bastasse a situação económica, revelaram-se as notas dos exames nacionaos, notas dramáticas, diga-se, revelando, uma vez mais, portugal no seu melhor, [portugal naquilo que é]. mais do que um problema conjuntural, estamos perante um problema estrutural, que se tem arrastado durante décadas. julgo que não será com mais horas de aulas de português e de matemática que o problema se resolverá. o que as notas dos exames nacionais elucidam é, acima de tudo, a falta de um pensamento crítico e criativo, de interpretação. este é o problema estrutural; e se no português existe a falta desses três paradigmas, afunda-se a matemática. e falando uma vez mais de cultura, noto e destaco a descoberta de manuscritos inéditos de guerra junqueiro, o prémio gulbenkian ciência de 2001 pra o físico nuno peres, ou a data de nascimento de jacques derrida a 15 de julho de 1930. tive quase, quase para ir ouvi-lo em 2003, quando veio a coimbra. não foi possível. fruto de leituras circunstancias do que propriamente contextuais, dele prefiro "políticas da amizade". se nos deparamos com uma ética da amizade, esta mesma ética confronta-se com a democracia, a qual "raramente se apresentou ela mesma no mínimo, sem a possibilidade daquilo que reúne sempre, se se quiser deslocar um pouco desta palavra, com a possibilidade de uma fraternização." isto apenas revela a génese trágica da democracia. termino como iniciei, mas ao contrário: a europa necessita de uma fraternização cultural para se encontrar a si própria, para se olhar para si própria. jean monnet, o pai da europa, acordou tarde. a europa adormeceu economicamente. desta forma, realço a exposição que a presidência espanhola da união europeia organizou em 2010 através de tr~es instituições: junta de extremadura, conselharia de cultura e turismo e pela sociedade estatal das comemorações culturais. a exposição e o catálogo chamou-se então (não tenho memória de nenhuma notícia de tal actividade, pelo menos em portugal), "suroeste: relações literárias e artísticas entre portugal e espanha (1890-1936)". profundamente ilustrado, e com textos magníficos, o catálogo encontra-se editado em portugal pela assírio & alvim e espelha a literatura, as artes plásticas, o cinema, a fotografia e a música, num período estabelecido entre 1890, surgimento do simbolismo português, até 1936, início da guerra civil espanhola. [a exposição, que se realizou entre 11 de março a 16 de maio de 2010 no museo extremeño e iberoamericano de arte contemporáneo em badajoz, leio na blogosfera que a exposição não veio para portugal, alegando o governo de então com a crise. foi uma perda irreaparável. e como só comprei na sexta-feira o catálogo, caro, mas vale a pena, fica aqui o registo (http://litfil.blogspot.com)

LV obama



depois de sermos considerados "lixo", do murro da mobby`s, da banca andar "stressada", o que significa que andamos stressados, portugal até é um dos maiores consumidores de analgésicos, a europa anda stressada, vem o nobelizado da paz presidente americano obama dizer que "não somos como a grécia, nem somos portugal". só nos faltava ouvir esta! afinal de contas o que somos? ou melhor o que é portugal? portugal, para o presidente americano nada é, nem existe. compreenda-se a intenção, mas foi infeliz! portugal, de momento, reinventa-se a si mesmo perante uma europa moribunda e desfalecida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

LIV a tragédia das 18h00





o que chegou simplesmente ao ministro das finanças para anunciar o inevitável, o que já se sabia, foi a sua serenidade, que é, afinal, o que a coligação governamental pede aos portugueses. justiça e equidade perante um imposto extraordinário nem sequer pedido pela troika? não parece. a banca fica de fora, os empresários ficam de fora e quem o vai pagar vão ser os trabalhadores por conta de outrém. esta é a realidade, a trsite realidade. possivelmente, as receitas deste imposto extraordinário será canalizado para a banca e não nos parece que seja para a estabilidade orçamental, o investimento e o crescimento. as políticas do imediato não têm êxito para o futuro do bem-comum. julgo que a taxa de desemprego em portugal ainda aumentará este ano, irá chegar aos 13% e não em 2012 ou em 2013. esta é outra tragédia. se a coligação governamental pede o esforço e o sacrifício de todos, a todos deveria ser aplicado uma justiça distributiva fiscal, conforme os rendimentos de cada um, ficando de fora os pensionistas., principalmente os de baixo rendimentos. não se pode ficar sereno e tranquilo, porque não sugere e não oferece credibilidade interna este mesmo imposto extraordinário. a tragédia que descobrimos às 18h00 do dia 14 de Julho de 2001 é que há portugueses que são cidadãos, outros não. e vamos ver se ficamos por aqui, se será apenas este ano.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

LIII quadrilátero


8 de julho


hoje um dia chuviscoso para a conferência do professor joão medina, no museu bernardino machado. final de tarde, não na esplanada, tudo molhado. lá diz o velho ditado "chuva mola-tolos", acrescento também "chuva molha-inteligentes" porque molha todos. no p2 do "público" de hoje na "escrita na pedra" uma citação de saramago: "só se nos detivermos a pensar nas pequenas coisas chegaremos a compreender as grandes." das pequenas grandes-coisas que nada são: o murro de sermos "lixo", salvo seja! brincadeiras do dinheiro. nem mesmo um país deve gostar de ser considerado "lixo", quanto mais o humano! mesmo economicamente. o governo lá respondeu e nós cá temos que andar inteligentemente no país real. [hoje, sábado, desculpa-se com a europa, a europa que desculpabilize a situação]. por falar em quedas, não de descukpabilização, o cinema continua a perder espectadores. [e a leitura?] a pior notícia vem de santiago de compostela: o roubo do "códice calixtino do século XII. temos uma boa notícia no âmbito da cuktura: fundos europeus para estimular as redes culturais. trata-se do programa operacional regional do norte. famalicão é contemplado. o que aqui temos é a programação cultural em rede do quadrilátero do minho (cávado e ave, particularmente), abrangendo os concelhos de barcelos, braga, famalicão e guimarães. aliás, há já algum tempo que o município de famalicão tem dado destaque às actividades culturais do respectivo quadrilátero na sua agenda cultural. a grande questão de momento é se famalicão vai usufruir das actividades da capital europeia da cultura. quando foi anunciada, o presidente da câmara de famalicão anunciou a disponibilidade do município para a participação em conjunto das mesmas actividades, já que trará perante a comunidade famalicense mais visitantes e mais turismo, assim como mais visitantes, até porque, não é de esquecer nos censos de 2011 famalicão cresceu em termos populacionais mais de 6000 habitantes. por seu turno, a população em guimarães está em decréscimo. não esquecer para a semana é o livro de kazantzakis "liberdade ou morte". esperança sempre. dos textos a ler do "ípsilon" e retirar conclusões: o de augusto m. seabra com o título "um governante e o seu programa" e o de antónio pinto ribeiro !que fazer?". claro, a acultura em foco e as suas práticas culturais. e quem está de parabéns é o jornal famalicense "cidade hoje", que ontem comemorou os seus 25 anos de existência. [a conferência do professor joão medina foi bastante concorrida].

quarta-feira, 6 de julho de 2011

LII

isto de irmos fazer análises é um descalabro orçamental. teve uma vantagem: atendimento não muito demorado e até se deparou com gente simpática. mas, minha nossa, fica-se ainda mais doente do que já está por aquilo que se paga! tem um senão: o tempo que se perde. é um tempo necessário, verdade seja dita. é um mal menor. ainda pensei quantos livros não poderia ter comprado. anadamos a poupar e, às vezes, temos surpresas destas. vinguei-me na "história geral dos piratas" que vem hoje no jornal "público" da editora cavalo de ferro. mas lá fiquei satisfeitinho com a minha colaboração nos 20 anos do jornal "opinião pública" e, logo por sinal, no seu número 1000. parabéns ao "opinião pública".

segunda-feira, 4 de julho de 2011

LI do dia




para o dr. manuel sá marques












bom, hoje tive uma agradável surpresa do meu caro amigo dr. manuel sá marques ao abrir o correio electrónico: lá tinha uma recordação sua, nada mais do que uma caricatura de castelao realizada por cebreiro e a estátua do autor "sempre em galiza" na cidade de pontevedra. aqui reproduzo. sempre amável para comigo, o dr. manuel sá marques enche-me assim de amabilidades surpreendentes, acima de tudo quando vou a lisboa, pela sua inestimável companhia, assim como também vem até a famalicão, às actividades do museu bernardino machado, sempre preocupado comigo. e depois as suas inestimáveis ofertas! e hoje, que até tive a amabilidade de falar com o dr. sá marques, lá me contou que já fez a romagem à casa de castelao. não perde tempo! estamos perante a perspectiva aristotélica da amizade, a amizade por excelência, descomprometida, sem interesses, revelando-se no ideal de partilha, intelectuais e humanas. e por falar em actividades intelectuais, encontrei no espólio do museu, no seu respectivo arquivo de imprensa, dois textos, um de júlião quintinha e que se chama "a influência dos intelectuais no advento do regime republicano" (publicado em "O Primeiro de Janeiro", de 24 de outubro de 1951). neste último, como não podia deixar de ser, se faz referência a bernardino machado. a surpresa para o dr. sá marques está simplesmente num texto de bernardino machado publicado no jornal "república"em 28 de março de 1968 e que se chama "um político", texto clarividente sobre o que será, e deveria ser, um político, na sua coerência e de ideais em que acredita para o bem comum (http://litfil.blogspot.com) Numa altura em que a incoerência política, entre o que se afirma antes e pós-eleições, é uma realidade total em portugal, sem uma visão para o futuro do país, o texto de bernardino machado é fundamental para entendermos o papel dos políticos na sociedade, numa época em que temos um, nas palavras de boaventura sousa santos, défice histórico na formação das elites políticas, originando assim uma crise no plano político-cultural.




castelao visto por cebreiro




estátua de castelao em pontevedra



a reviste "ler", com que abre o blog de hoje, melhor, o que mais me chamou a atenção, informa os leitores do "dossier" dos livros indispensáveis para as férias. o título escolhido é provocador e sugere um atentado à liberdade de escolha: "24 livros sem desculpas para não ler nas férias". como leitor, a leitura parte graciosamente da interioridade do humana e deve ser incentivada. a leitura não é um acto ditatorial, é um acto de escolha e, se assim o for, de orientação apetecível para as viagens de sonho enquanto somos leitores. o escrevente destas linhas é contra todas as formas ditatoriais, da mais simples à complexa. se o título é provocador, condena-se a provocação. e depois diz-me a experiência que quantos mais livros se leva para fértias, acaba-se por se não ler nenhum. há tempo para a leitura, há tempo para o descanso, há tempo para escrever, há tempo para conviver, há tempo para amar. mas do que a revista seleccionou gostei´de ver títulos como "a montanha mágica", "doutor fausto", "sinais de fogo", "berlim alexanderplatz", "debaixo do vulcão" e o "quarteto de alexandria". estes livros, não são livros para férias: são livros de leitura durante o ano. o título é que falhou. mesmo para férias, as escolhas leitorais devem ser pedagógicas.




casa de castelao, imagem retirada da net




o que falha igualmente en portugal é a inovação, a reestruturação, a renovãção dos serviços. neste caso, falo do facto da cp pretender acabar com a linha internacional porto-vigo. em vez de renovar, fecha-se! portugal afasta-se cada vez mais e desmesuradamente da galiza, sem nexo, e hoje não há necessidade para que tal afastamento aconteça. uma triste realidade.







sábado, 2 de julho de 2011

L pretrogrifo

para yoli, docemente





e eis a luz do mundo no seu melhor


assim


os celtas adoravam o pretrógrifo


na metáfora do sol


algo infinito


dançavam


preces


olhando [olhando-se]


vibravam


na busca do centro


a única prece do mundo


paraíso


em mim


assim


p.s. sou um afortunado. adoro esta palavra: afortunado. mais do que, podia dizê-lo, do que cheio de sorte. sou mais do que cheio de sorte: um afortunado, simplesmente. hoje recebi imensas prendas. um quadro de yoli, que aqui reproduzo, o meu favorito, mas tem outros fantásticos, uma caixinha de música e o livro de castelao, numa edição portuguesa e ainda por cima com vários estudos sobre o livro e o pensamento de castelao, "sempre em galiza". como se não bastasse, ainda ontem recebi um telefonema de um amigo, do sr. david vieira de castro, aqui regista-se uma vaidaidezinha, não fica mal a ninguém, de vez em quando, um dos empresários deste país que cria riqueza, amigo de siza vieira e de mário cláudio, dizendo-me que foi falar a um curso profissional e falou nos meus estudos. o que mais podemos esperar desta vida, que assim corre placidamente?!

XLIX cabo home

para yoli, paraíso, docemente, a luz do mundo no seu melhor, amorosamente













































































sexta-feira, 1 de julho de 2011

XLVIII não apagar a memória




eduardo ribeiro a discursar



CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA



Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.

É possível, porque tudo é possível, que ele seja

aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,

onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém

de nada haver que não seja simples e natural.

Um mundo em que tudo seja permitido,

conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,

o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto

o que vos interesse para viver. Tudo é possível,

ainda quando lutemos, como devemos lutar,

por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,

ou mais que qualquer delas uma fiel

dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade

não tem conta o número dos que pensaram assim,

amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,

de insólito, de livre, de diferente,

e foram sacrificados, torturados, espancados,

e entregues hipocritamente â secular justiça,

para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»

Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,

a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas

à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,

foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,

e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,

ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.

Às vezes, por serem de uma raça, outras

por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência

de haver cometido. Mas também aconteceu

e acontece que não foram mortos.

Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,

aniquilando mansamente, delicadamente,

por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.

Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,

foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha

há mais de um século e que por violenta e injusta

ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,

que tinha um coração muito grande, cheio de fúria

e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

Apenas um episódio, um episódio breve,

nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)

de ferro e de suor e sangue e algum sémen

a caminho do mundo que vos sonho.

Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém

vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.

É isto o que mais importa - essa alegria.

Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto

não é senão essa alegria que vem

de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém

está menos vivo ou sofre ou morre

para que um só de vós resista um pouco mais

à morte que é de todos e virá.

Que tudo isto sabereis serenamente,

sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,

e sobretudo sem desapego ou indiferença,

ardentemente espero. Tanto sangue,

tanta dor, tanta angústia, um dia

- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -

não hão-de ser em vão. Confesso que

muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos

de opressão e crueldade, hesito por momentos

e uma amargura me submerge inconsolável.

Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,

quem ressuscita esses milhões, quem restitui

não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?

Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes

aquele instante que não viveram, aquele objecto

que não fruíram, aquele gesto

de amor, que fariam «amanhã».

E, por isso, o mesmo mundo que criemos

nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa

que não é nossa, que nos é cedida

para a guardarmos respeitosamente

em memória do sangue que nos corre nas veias,

da nossa carne que foi outra, do amor que

outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena



um aspecto da sociedade martins sarmento, em guimarães


ontem tive o raro privilégio, uma vez mais, de conviver com alguns democratas de braga, pertencentes à famosa lista da cde. aliás, esta lista, diga-se, antes de mais nada, é a lista que mais trabalho nos dá, a nós, técnicos de museus e de bibliotecas, porque foi uma lista inovadora nas eleições de 1969, com imensos textos e folhas volantes então publicadas, riquíssimas de conteúdo programático e de ideias para a inovação e renovação de portugal, nos seus mais variados temas, uma panóplia de textos e de intervenções dos seus elementos que ainda alguns deles conheci pessoalmente através do dr. sá da costa, caso do saudoso santos simões. isto aconteceu porque ontem, na sociedade martins sarmento, em guimarães, foi a apresentação do livro de eduardo ribeiro "insubmissão: resistência ao salazarismo: não apaguem a memória", com introdução de artur sá da costa, um dos democratas de braga, conforme o disse na abertura da sessão amaro neves da sociedade martins sarmento. aliás, o mesmo artur sá da costa realizou não só a apresentou do autor, eduardo ribeiro, do "núcleo duro" dos "democratas de Braga", como a introdução ao livro. se o que registo da intervenção de eduardo ribeiro é que se "as consciências acordaram com o sol airoso da madrugada de abril", hoje os portugueses "interrogam-se", na medida em que a democracia "não está a ser levada a cabo". acrescento mais este apontamento: "parece que as novas gerações não estão para a construção da democracia", retomo aqui o repto de artur sá da costa: a realização de um amplo congresso histórico da oposição democrática daqui a três anos, quando abril comemorar 40 anos.





Eduardo Ribeiro a autografar a minha lembrança




a dedicatória do autor e de artur sá da costa. estes momentos são sempre inesquecíveis



amaro das neves, eduardo ribeiro, artur sá da costa





artur sá da costa no momento da apresentação do autor e do livro



henrique barreto nunes, joaquim loureiro, eduardo ribeiro



no início da sessão dos autógrafos. vemos henrique barreto nunes, artur coimbra, entre outros



uma perspectiva do auditório